Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

domingo, 15 de outubro de 2017

Jesus Cristo não é a “Rainha do Céu”

Por: Dom Tomé Ferreira da Silva

Na cidade de São José do Rio Preto, na noite do dia 16 de setembro, numa promoção do SESC, ocorreu a encenação da peça intitulada“O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu”, recusada em outras cidades e proibida pela justiça, na mesma ocasião, na cidade de Jundiaí. Alguns dias antes, a exposição “Queermuseu” foi cancelada em Porto Alegre, promovida pelo banco Santander. Um outro “artista” nu tem se apresentado usando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida como tapa-sexo e depois “rala”, literalmente, a imagem reduzindo-a a pó; a mesma pessoa também usou hóstias para escrever palavras impróprias em uma exposição. No ano passado, na Catedral de São José do Rio Preto a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado foi estraçalhada. Nos últimos anos, inúmeras igrejas em São José do Rio Preto foram arrombadas e roubadas, em flagrante desrespeito ao Santíssimo Sacramento e a símbolos católicos. São apenas alguns fatos, dentre tantos, que formam uma corrente sucessiva de “agressões” às religiões e igrejas, atingindo seus valores, símbolos, sacramentos, sacramentais e pessoas.

O homem é o produtor da cultura. A arte, em qualquer uma de suas manifestações, é uma expressão da cultura, uma entre tantas outras. Das expressões da cultura, a mais ampla, profunda e madura é formada pelo conjunto dos valores que norteiam a vida humana e a sociedade e que são fundantes da ética. Os valores possuem horizonte mais amplo que as demais manifestações culturais. A arte, como uma expressão de cultura, está também ela circunscrita aos valores. Antropológica e culturalmente não é possível pensar a arte sem a ética dos valores, como também não é possível pensar nenhuma manifestação cultural fora do horizonte da ética da responsabilidade.

De muitas formas, Cristo continua sendo violentado
 e rejeitado nos nossos dias!
Do mesmo modo que a cultura é plural nas suas manifestações, também a arte se expressa de variados modos. Cultura e arte estão sempre condicionadas pelo tempo e espaço, são plurais, ambivalentes e sujeitas a ambiguidades. As artes são modos de exprimir o belo. O belo é o mais frágil dos transcendentais, junto com o uno, a verdade e o bom. As manifestações artísticas estão sujeitas aos limites que lhe são próprios por natureza. O belo é tão sublime que não se deixa exprimir por um único meio, e cada expressão do belo carrega consigo uma ausência da plenitude da beleza. A fragilidade das expressões artísticas abre espaço para a ambivalência e ambiguidade, que podem ser o caminho para a transgressão e a absolutização da subjetividade, quando o eu tem a tentação de tornar-se maior que o belo.

Basta adjetivar algo de “artístico” para ser arte? A arte é totalmente subjetiva se não tem critérios que ajudam no discernimento do que é a obra de arte. A arte em qualquer uma de suas manifestações possui uma dimensão objetiva. Esta objetividade da arte, como também dos valores, está intimamente vinculada com a vida cultural e social da pessoa humana. A adjetivação de algumas produções culturais como “arte” parece estar sendo usada como artifício para fugir da ética dos valores e da responsabilidade social, como se as expressões artísticas estivessem para além dos valores e dispensadas deles. Em muitas situações estas produções culturais que se autodeterminam de artísticas parecem buscar os benefícios do Estado ou de outras expressões da sociedade civil para incomodar, provocar e agredir pessoas e grupos específicos que pensam diferente, expressão sensível e doída da intolerância, pois atinge a “alma” das pessoas e dos grupos.

A sociedade, através das suas instituições de governo ou não, deve ser garantidora dos valores éticos e das artes, assegurando a pluralidade das manifestações artísticas e garantindo o respeito aos valores consolidados que balizam a vida humana e social. Por que as religiões e igrejas podem ser criticadas, caluniadas, vilipendiadas por pessoas e grupos, que em alguns casos se apresentam como artistas? E por que as religiões e igrejas, ao se manifestarem diante das críticas em sua autodefesa, são taxadas de ignorantes, fanáticas e retrógradas? Por que uns “podem” usar os meios de comunicação para divulgarem suas “obras” e os ofendidos não podem usar os mesmos meios para uma reação pedindo respeito e uma ética de responsabilidade dos produtores de arte e dos mecenas? Por que os “artistas” podem tudo e as pessoas religiosas e seus líderes não podem nada?

É dever da sociedade organizada acompanhar as manifestações da arte para que não saiam da esfera de uma ética dos valores e da responsabilidade, não transgridam os limites do respeito aos diversos grupos que formam a sociedade e não agridam valores humanos e religiosos. Para tanto, basta observar o que está na constituição e nos dispositivos legais do nosso Brasil. Quando a sociedade organizada não faz o seu papel de supervisora, a partir da legislação vigente, a transgressão livre, consciente e proposital levará indubitavelmente à agressão. Quando os poderes constituídos da sociedade civil não cumprem a sua missão, fica o espaço aberto para o vandalismo e o desrespeito gratuito diante do diferente. A imensa maioria dos produtores de arte e dos artistas são bons e sabem exprimir a beleza de modo adequado sem fugir à ética dos valores e da responsabilidade. Estes realizam interpretações de temas religiosos com inteligência, beleza e bom gosto, contribuindo para a difusão do bem na sociedade. Muitos deles realizam edificantes leituras da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e das manifestações de fé próprias dos cristãos; muitas destas obras são patrimônio cultural da humanidade.

Quando a arte usa de elementos religiosos precisa de uma atenção singular, pois Deus, as pessoas santificadas, os valores religiosos, os livros sagrados, seus símbolos e seus sinais são frutos da Revelação e da história, muitas vezes milenar, como é o caso do Cristianismo. A Bíblia, seus personagens e fatos, não pode ser vista de igual modo como se olha livros de outra natureza. A linguagem e os conteúdos bíblicos devem ser interpretados através de uma hermenêutica própria. O mesmo ocorre com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, que precisa ser apreciado sem fugir dos instrumentais adequados para compreendê-lo. Uma “leitura livre”, artística ou não, da Bíblia e de Nosso Senhor Jesus Cristo, pode correr o risco de falsificar a verdade, induzir ao erro e relativizar erroneamente a fé e a moral, criando e promovendo a divisão na sociedade, pois ao agredir a fé perturba também a paz.

Não cabe às religiões e Igrejas “demonizar a arte”, mas contribuir para fazer dela instrumento de aproximação e / ou de recepção e manifestação do belo e também do sagrado. Não existe religião ou igreja que não tenha contribuído para o desenvolvimento da arte, pois o belo é sagrado, é divino. O cristianismo, desde a sua origem, sempre foi estreitamente vinculado às expressões artísticas; a sua história é também um capítulo da história da arte. Por outro lado, a história da arte não pode suprimir a contribuição do catolicismo para a música, a pintura, a escultura, a arquitetura, o teatro e o cinema. Não há incompatibilidade entre religiões, igrejas e manifestações artísticas. Os valores éticos e religiosos contribuem para que a arte realize bem a sua missão de ser transmissora dos valores artísticos. No entanto, lamentamos e repudiamos todas as manipulações ideologizadas de expressões artísticas, como a ocorrida no SESC, em São José do Rio Preto, que agrediu a fé e os valores de noventa e cinco por cento da população cristã da cidade. Ética, responsabilidade e respeito são bons e nós, cristãos, merecemos e queremos.

*Bispo de São José do Rio Preto/SP, in www.cnbb.org.br.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

10 curiosidades de Aparecida nestes 300 anos de História

Certamente você já ouviu falar da história e dos milagres de Nossa Senhora Aparecida e sabe que essa devoção mariana surgiu da descoberta de sua imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul, nos arredores de Guaratinguetá – região que se tornou o atual município de Aparecida. Mas essa história de 300 anos é cheia de detalhes: aqui vão 10 coisas que você não sabia sobre a história da devoção à Padroeira do Brasil.


A imagem não foi encontrada em um 12 de outubro

Não se sabe ao certo em que dia a imagem foi encontrada pelos pescadores. O máximo que se sabe é que, provavelmente, a aparição aconteceu durante a segunda quinzena de outubro – período em que o governador da Província de São Paulo e Minas Gerais estaria visitando a região, razão da pesca de Felipe, Domingos e João. Foi baseando-se nessa data que o dia 12 foi escolhido, por aproximação, para celebrar a festa de Nossa Senhora Aparecida – mas isso só aconteceu em 1953. No começo, a sua festa era no dia da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro, já que se trata de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Antes da data atual, a festa também já foi celebrada em 7 de setembro, dia da independência do país, devido à proclamação de Aparecida como padroeira do Brasil.
Dom Pedro I visitou Aparecida duas semanas antes de proclamar a independência

Na viagem por São Paulo durante a qual proclamou a independência do Brasil, o então príncipe regente Pedro I passou por Aparecida e visitou a imagem em seu santuário – isso aconteceu em 22 de agosto de 1822. Dom Pedro prometeu a Nossa Senhora Aparecida consagrar o Brasil a ela caso a sua situação política complicada se resolvesse. Seu filho e sucessor, dom Pedro II, também esteve no santuário, em 1843 e 1865.


Aparecida tinha os cabelos curtos


Os cabelos da imagem original eram curtinhos: não chegavam sequer aos ombros. Os cabelos compridos apareceram só em 1978, quando a imagem foi restaurada – seria melhor dizer “reconstruída” – depois de ser quebrada em centenas de fragmentos, por um rapaz com distúrbios psicológicos que a tirou do nicho. O objetivo era que os cabelos maiores ajudassem a fixar melhor a cabeça ao corpo. Nesse restauro, conduzido por Maria Helena Chartuni, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Aparecida foi praticamente refeita – sobretudo a cabeça, que foi a parte mais danificada. É clara a diferença dos traços ao comparar fotos de antes e depois do restauro: além dos cabelos, nota-se que ela era mais rechonchuda e de traços mais suaves.


Aparecida já recebeu presentes de quatro papas

A rosa de ouro é uma honraria conferida pelo papa que data pelo menos do século XI e consiste justamente em uma escultura de uma roseira feita em ouro puro. Comumente ofertada a membros da realeza – como a Princesa Isabel, que ganhou uma de Leão XIII quando assinou a lei áurea –, a entrega da rosa de ouro tem sido reservada desde o Concílio Vaticano II a santuários marianos. Aparecida já ganhou três: uma de Paulo VI, em 1967, outra de Bento XVI, em 2007, e uma de Francisco, em 2017. As rosas podem ser vistas no museu que fica na torre da basílica. Além disso, os mosaicos que adornam a Capela do Santíssimo, na basílica, foram um presente de João Paulo II, em 1980.


Aparecida é a Generalíssima do Exército Brasileiro

Na mesma ocasião em que a rosa de ouro ofertada por Paulo VI foi entregue ao santuário, em 1967, o presidente Artur da Costa e Silva outorgou a Nossa Senhora Aparecida um título único: Generalíssima do Exército Brasileiro – a patente mais alta do exército de nosso país.


São Josemaria Escrivá, o fundador do Opus Dei, já visitou Aparecida

“Com que alegria fui a Aparecida! Com que fé vocês todos rezavam! Eu dizia à Mãe de Deus, que é Mãe de vocês e minha: Minha Mãe, Mãe nossa, eu rezo com toda esta fé dos meus filhos. Te queremos muito, muito. E parecia escutar, no fundo do coração: com obras!” Essa foi uma das frases de São Josemaria Escrivá quando esteve na Basilica Velha, em 28 de maio de 1974, junto daquele que seria seu sucessor, o Beato Álvaro del Portillo. A passagem do santo pelo santuário ocorreu um ano antes da sua morte. Ali, ele rezou o terço junto com fiéis do Opus Dei. A visita é lembrada com uma imagem de São Josemaria, instalada na basílica em 2008.


A imagem era colorida

Manto azul com forro em vermelho vivo, pele clara, túnica esbranquiçada, com detalhes em amarelo. A imagem de Aparecida era assim quando foi produzida, provavelmente no século XVII, pelo Frei Agostinho de Jesus. Supõe-se que a imagem fosse conservada em uma capela de Nossa Senhora do Rosário às margens do Paraíba e que, após uma enchente na igrejinha ou depois de ter a cabeça quebrada, foi descartada nas águas do rio – que apagaram as cores da imagem. As cores do manto vinham de uma ordem de dom João VI, que, ao proclamar a Virgem da Conceição padroeira de Portugal, ordenou que o seu manto fosse sempre colorido de azul e vermelho, as cores do Reino de Portugal.


Os redentoristas que vieram cuidar de Aparecida já tinham experiência na área

Quando o Vaticano pediu a missionários redentoristas alemães que assumissem o cuidado do santuário, em 1894, os padres do convento de Gars, na Alemanha, tinham acabado de transferir para outra congregação a responsabilidade por um outro santuário mariano: o da padroeira da Bavária, Nossa Senhora de Altötting. Como Aparecida, a imagem de Altötting é pequena, rústica e enegrecida. O seu santuário fica a apenas 20 minutos de carro de Marklt am Inn, a cidade natal do papa Bento XVI, que tem muito carinho pela Virgem de Altötting. Ele até mesmo ofereceu o anel que usava como cardeal ao santuário e hoje a peça faz parte do cetro da imagem. Além disso, quando o pontífice alemão esteve em Aparecida, os padres redentoristas fizeram questão de colocar no quarto em que ele ficou hospedado uma reprodução da Virgem de Altötting.


Aparecida está se espalhando pelo mundo

Se você for ao conhecido santuário do Menino Jesus de Praga, na República Checa, vai se deparar com uma imagem da padroeira do Brasil, entronizada lá em 2007. Também é possível encontrar Aparecida em igrejas da Colômbia, da Eslovênia, dos Estados Unidos, de Portugal, da Eslováquia, da Argentina, da França, do Líbano e até mesmo nos Jardins Vaticanos: um monumento dedicado a Nossa Senhora Aparecida foi inaugurado no local pelo papa Francisco, em 2016. O maior responsável por levar Aparecida pelo mundo tem sido o cardeal Raymundo Damasceno Assis, que foi arcebispo de Aparecida entre 2004 e 2016 e presidente da CNBB entre 2011 e 2015.


O Brasil também tem outros padroeiros

Aparecida divide o título de padroeira do Brasil com outras duas figuras. O primeiro santo a ser declarado padroeiro do Brasil foi São Pedro de Alcântara, em 1826, quatro anos depois da independência. Quem o proclamou patrono foi o papa Leão XII, a pedido do imperador Pedro I, que envergava justamente o nome de Pedro de Alcântara. Embora o patronato do franciscano espanhol tenha sido esquecido, nunca foi anulado. Só em 1930 Aparecida foi proclamada também padroeira, por Pio XI. Já em 2015, a CNBB declarou copadroeiro do Brasil o jesuíta São José de Anchieta, um ano depois de sua canonização.



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Custódia celebra fundador da Ordem

Nos quatro cantos da Custódia Provincial Imaculada Conceição, os frades Franciscanos Conventuais celebraram o dia do Seráfico pai São Francisco de Assis. Os festejos em muitas paróquias, assistidas por eles, iniciaram com a novena em preparação a este dia solene. E ontem, juntamente com a Casa de Formação e também no Eremitério, através de orações, encenação, cantatas e celebração lembraram o Trânsito do Poverello de Assis.
Tiveram almoço festivo e exposição de objetos, quadros e imagem que remetiam a realidade, espiritualidade e história Franciscana e a tradicional bênção dos animais.
O dia foi mais intenso na sede Custodial e paróquia São Francisco no Rio Comprido na cidade carioca.
Que São Francisco abençoe novamente todos os seguidores e seguidoras do Cristo Pobre e Crucificado. E que possamos ser um vivo e eficaz testemunho de paz e bem no mundo de hoje!






















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